Habilidades socioemocionais e o papel da escola

Confira o artigo da psicopedagoga Anna Paula Jorge Jardim, especial para o portal Mais Educação

  • por em 27 de janeiro de 2020

(Foto: freepik.com)

Anna Paula Jorge Jardim, especial para o portal Mais Educação
Psicopedagoga e vice-diretora do Colégio Nossa Senhora das Dores

Quando pensamos na importância da escola para a formação de crianças e jovens é muito comum levarmos em consideração alguns elementos como alfabetização adequada, o ensino da matemática e da física, o aprendizado de uma segunda língua e a preparação para os exames externos. 

É claro que tudo isso é muito importante e deve ser uma preocupação constante de pais e educadores. Afinal, uma formação sólida é fundamental para que o jovem tenha boas oportunidades na profissão que deseja seguir.

Porém, temos observado que a educação vem evoluindo ao longo dos tempos e novas demandas vão surgindo – o que leva as escolas a repensarem seus currículos e enfrentarem desafios muito mais complexos. 

Se, no começo do século XXI, o que chamou a atenção foi a ampla informatização e preocupação com a tecnologia, percebemos que agora há uma grande preocupação em trabalhar com os jovens as habilidades que desenvolvam competências socioemocionais como o autoconhecimento, a liderança, a empatia, o trabalho em equipe, o empreendedorismo. Nesse sentido, também é dever da escola compreender essas temáticas e levar isso para a sala de aula.  

Trabalhar as habilidades socioemocionais é vantajoso não apenas na formação humana, mas também profissional. Estudo do World Economic Forum (WEF) declara que serão criados 133 milhões de empregos até 2025. Além disso, 35% das habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar em 2020.

Ou seja, diferentemente das gerações anteriores, mais do que o conhecimento em português, matemática, física e química, o que já está sendo demandado dos novos profissionais são habilidades e qualificações como iniciativa, criatividade, pensamento crítico, persuasão, negociação, resiliência, cooperação e flexibilidade. 

Dentro das habilidades socioemocionais podemos destacar o desenvolvimento da Comunicação Não Violenta (CNV), que pode ser definida como um método comunicativo desenvolvido por Marshall Rosenberg, um psicólogo americano da década de 1960, que consiste em utilizar técnicas eficientes de comunicação para cuidarmos da saúde dos relacionamentos e implantarmos a cultura da paz em qualquer ambiente. Como educadores, podemos usá-la para estimular que venha à tona o que há de melhor em nossos alunos. 

Numa sala de aula, exercitar a CNV é favorecer o crescimento das crianças e adolescentes em relação ao autocontrole, ao desenvolvimento da empatia, do espírito de equipe e do respeito às diferenças. A CNV baseia-se em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas. Ela não apresenta nada de novo, pois tudo que foi integrado à comunicação não-violenta já é conhecido. O objetivo é justamente nos lembrar do que já sabemos – de como deveríamos nos relacionar uns com os outros de forma pacífica. 

A CNV é uma forma de exercitar o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade dos indivíduos.

Quando ensinamos as crianças a resolverem seus conflitos, escutando opiniões divergentes e compreendendo a visão do outro, estamos trabalhando o desenvolvimento dessa competência e criando cidadãos e profissionais melhores para o mundo.  

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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