Educação pós-pandemia: especialista aponta tendências e desafios

O conceito de aula mudou e o novo processo de ensino-aprendizagem deve ser focado nas necessidades do aluno, analisa o professor Antonio Carbonari

  • por em 10 de fevereiro de 2021

(Foto: freepik.com)

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, todas as esferas da sociedade passam por profundas transformações que alteram, significativamente, os padrões estabelecidos até então. Hábitos e comportamentos adotados por décadas são, agora, reestruturados e submetidos a novas avaliações. Certamente, a área da educação foi uma das mais afetadas no período e nela estão alterações transformadoras e, em muitos casos, definitivas.

Diante da impossibilidade de frequentar as salas de aula, devido à necessidade de isolamento social, alunos e professores tiveram que se adaptar rapidamente ao ensino a distância, usando os recursos tecnológicos como seus grandes aliados para vencer os desafios impostos pela pandemia. Com isso, um novo processo de ensino e aprendizagem começou a se desenhar, no qual os alunos passaram a ter contato com experiências didáticas mais interativas e dinâmicas.

De acordo com o professor Antônio Carbonari Netto, que possui um amplo e reconhecido histórico na área educacional, com iniciativas marcadas pela inovação, as aulas a distância mediadas pelas novas tecnologias serão uma forte tendência no mundo pós-pandemia. No entanto, não será baseada apenas no ensino remoto, como era antes do surgimento da Covid-19, mas em uma profunda transformação digital no campo da educação, que estará cada vez mais alinhada às necessidades apresentadas pelos alunos.

Novos rumos

Em sua participação no evento Summit Êxito de Empreendedorismo, promovido recentemente pelo Instituto Êxito, Carbonari aponta que a pandemia trouxe uma disrupção no universo educacional, ou seja, a necessidade de isolamento social causou uma drástica ruptura nos padrões e modelos estabelecidos na educação.

Para o pesquisador, a própria concepção de ensino se modificou: “O conceito de aula mudou, de presencialidade também. Hoje, o presencial é conectado. A aula deve ser um momento de troca, de comunicação, em um local onde as pessoas ficam para se comunicar. Não é um conceito de quatro paredes, pode ser no jardim, em casa, enfim, no lugar onde o aluno se sinta mais à vontade para aprender.” 

No atual contexto, os educadores e as instituições também precisarão prever e lidar com novos desafios. Dentre eles, Carbonari destaca: o estímulo a uma retomada aos estudos acolhedora, inclusiva e adaptativa; tornar as atividades não presenciais mais dinâmicas; a promoção do acesso democrático à internet e a dispositivos eletrônicos, com a manutenção da equidade; métodos inovadores focados em aprendizagem e no aproveitamento do aluno, e não apenas no cumprimento de carga horária; grade curricular adequada e pertinente ao novo cenário; métodos de avaliação viáveis e acessíveis em qualquer circunstância; modelos de ensino adaptáveis a possíveis novos impactos; entre outros.

Para o prof. Carbonari, que fundou em 2017 uma universidade americana que oferece cursos de mestrado 100% on-line para brasileiros, o professor também precisará se reinventar e, como um tutor, terá como missão fazer o aluno aprender, acompanhando-o de perto, provocando discussões e, com isso, conduzir o estudante a alcançar o seu projeto de desenvolvimento acadêmico. “Essa realidade é possível a partir de um ensino a distância com professores capacitados e recursos tecnológicos adequados. O pós-pandemia é a primeira fase para o futuro, nós vamos ensinar competências, não é só o saber, é o saber fazer”, completa o pesquisador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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