As várias facetas positivas do intercâmbio estudantil

Experiência muda vida de estudantes, famílias e comunidade em Ibirité

A estudante tailandesa Haifa Kaday (segunda, à esquerda) veio fazer intercâmbio em Ibirité, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Foto: arquivo pessoal)

O ano de 2019 promete grandes emoções e muito aprendizado para toda a família da professora Eva Milene Moura Campos, que vive em Ibirité, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A filha mais velha, Laura, com 17 anos, foi para a Itália com o objetivo de fazer um intercâmbio estudantil por um ano. Ao mesmo tempo, Eva recebeu a estudante tailandesa Haifa Kaday, com 15 anos, e se tornou mãe acolhedora.

Isso foi possível graças a uma parceria entre a Escola Estadual Sandoval Soares de Azevedo, a Fundação Helena Antipoff e o AFS – instituição internacional mais antiga do mundo que se dedica a promover intercâmbios estudantis -, e apoio financeiro da Ibiritermo – operadora de energia elétrica e gás natural, sediada em Ibirité.

Foi por meio dessa parceria que Laura conquistou uma das duas vagas para intercâmbios disponibilizadas no ano passado na região. Ela foi uma entre os 100 alunos indicados pela Fundação para participar do projeto. Ao longo do período, uma série de atividades indicadas pelo AFS foram desenvolvidas, inclusive um curso de inglês instrumental.

A mineira Laura, com 17 anos, foi para a Itália com o objetivo de fazer um intercâmbio estudantil

Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, a jovem Haifa passava por um processo semelhante, porém, um pouco antes dela chegar ao Brasil, a família que a receberia em Salvador (BA), não pode mais acolhê-la. Foi aí que Eva entrou na história. “Quando conhecemos o AFS logo gostamos da proposta e a aprovação da Laura foi uma grande vitória. Não teríamos como bancar um intercâmbio como esse. Tem dois meses que ela viajou e a saudade é imensa. Quando soube que havia uma outra garota vindo para o Brasil e que precisava de abrigo não pensei duas vezes. Era a minha chance de retribuir tudo que minha filha está recebendo”, explica Eva Campos.

Toda a família abraçou a idéia e se preparou para receber a nova integrante. O marido José Carlos e a filha caçula Júlia (13) abriram as portas da casa e do coração para Haifa. “Para todos nós foi uma alegria e a convivência nos trouxe uma nova filha. Ela e Júlia se entenderam imediatamente. Ter uma adolescente de outro país é uma grande responsabilidade. Participamos da formação dela em um momento muito delicado. E para nós e toda a comunidade ter alguém de tão longe, com uma cultura tão diversa nos faz mais empáticos, mais sensíveis e flexíveis com quem é diferente”, reflete a professora.

Intercâmbio amplia concepção de mundo de estudantes e comunidade

Segundo a professora de inglês e coordenadora do projeto na Fundação Helena Antipoff, Carolina Lobo Silva, as atividades propostas pelo AFS, independentemente do intercâmbio que pode ser concedido no final do processo, ajudam a ampliar a concepção de mundo dos alunos participantes e, por consequência, de toda a comunidade.

Uma das primeiras atividades e considerada extremamente significativa pela professora foi o “Efeito Mais”. Em junho de 2018, os 100 alunos assistiram palestras sobre igualdade de gênero, meio ambiente, educação de qualidade e outros assuntos coerentes com a formação de cidadãos globais, além de participarem de oficinas.

O mais interessante, porém, aconteceu depois. O grupo resolveu replicar a iniciativa para todos os alunos da escola, promovendo o “Efeito Mais Essa”, no Dia do Estudante, quando compartilharam com a comunidade acadêmica o que aprenderam com o AFS e também sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A professora lembrou que, assim que Haifa chegou ao Brasil, a tragédia de Suzano (SP) aconteceu e, na Nova Zelândia, um ataque terrorista a uma mesquita deixou dezenas de mortos. Os alunos se mobilizaram e fizeram uma homenagem às vítimas com objetivo de confortar a nova colega.

“Imagine uma menina tão longe de casa vendo outras crianças morrendo aqui e sua religião sendo atacada em outro país. Esse foi um momento importante para que ela não se sentisse perdida e um grande exercício de empatia para todos os que estavam perto. Tudo isso reverbera na comunidade. As pessoas ficam sabendo, aprendem, se comovem. Foi, com certeza, uma oportunidade de aprendizado para todos”, emociona-se Carolina Silva.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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