Como ajudar crianças e jovens com dificuldades em leitura?

Profissional dá dicas para melhorar o desempenho dos alunos

  • por em 28 de fevereiro de 2020
leitura

(Foto: freepik.com)

Metade dos alunos brasileiros não alcança o nível mínimo de leitura, ou seja, não entendem o que leem. Os dados são do último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), de 2018, onde o Brasil ficou nas últimas posições do ranking internacional que mede o desempenho de alunos de 15 e 16 anos.

Com isso, o problema acaba se refletindo mais à frente, quando chega a vez de fazer o Enem. Afinal, a leitura é fundamental para uma boa escrita. No exame deste ano, mais de 300 mil candidatos zeraram a redação, e o número dos que conseguiram nota máxima, comparado com 2014, caiu 80%, segundo o MEC (Ministério da Educação).

Se o aluno tem problemas com a leitura, o primeiro passo é procurar o oftalmologista, pois pode ser apenas uma dificuldade em enxergar. Mas caso a situação persista, é hora de investigar mais a fundo. Confira as dicas que a pedagoga e fonoaudióloga do Alicerce Educação, Adriana Pizzo, dá aos pais:

  1. Identifique se a criança reconhece as letras do alfabeto e sabe fazer associações com as imagens.
  2. Observe se a dificuldade está em reconhecer letras, sílabas, palavras ou o texto inteiro.
  3. Pergunte aos professores quais as estratégias são usadas para auxiliar nesse processo, se há treinos de leitura na escola e se o desempenho do aluno está aquém ou equiparado ao dos colegas. Se a dificuldade for geral, a falha pode estar nos processos de ensino.
  4. Caso as dificuldades persistam, mesmo depois de aplicadas várias estratégias, procure profissionais especializados que possam avaliar e trabalhar técnicas para melhorar a leitura.

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Adriana lembra que, pelos critérios do MEC, a criança deve estar alfabetizada e ser um leitor fluente até o final do segundo ano do ensino fundamental, ou seja, quando completar 8 anos. Não é exigida a velocidade de leitura de um adulto, mas o aluno deve ser capaz de compreender pequenos textos. Por isso, é importante conhecer a realidade de cada um e identificar precocemente a origem do problema.  

Estimular o prazer pela leitura também ajuda a vencer essas barreiras.  E o incentivo deve começar em casa. “O fato de seu filho dizer que “não gosta de ler”, pode ser o reflexo de experiências mal sucedidas durante o processo de aprendizagem”. Adriana recomenda elogios a cada avanço, mas sem excessos que possam acomodar a criança ou o jovem e sugere estratégias que ajudam a desenvolver o gosto pela a leitura:

  1. Peçam que leiam o texto duas vezes, circulem as palavras desconhecidas e procurem o significado no dicionário. Depois, que releiam o texto. No geral, a compreensão do conteúdo vai melhorar.
  2. Treine e exercite a leitura de maneiras diferentes com eles, seja em voz alta, em saraus, de forma teatral. Isso garante maior fluência na hora de ler.
  3. Faça as pontuações corretas ao ler um texto oralmente. Lembre-se que a entonação é importante para que o ouvinte entenda o conteúdo.
  4. Apresente diversos gêneros de leitura.
  5. Use técnicas que ajudam a fazer resumos. Assim, o leitor pode monitorar o próprio desempenho na compreensão do texto. 

Com essas dicas, pais e professores podem acompanhar o desenvolvimento das crianças. Como diz o professor José Morais, autor do livro A Arte de Ler, “além da leitura compartilhada, quando a criança já está lendo, continue a ler com ela e sobretudo indicando obras. Livros são um elo entre pais e filhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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