Pesquisadores mineiros ganham destaque com estudo inédito sobre infecção urinária

Professores e alunos do curso de Farmácia conduziram investigação reconhecida internacionalmente que identificou extratos de polpas de frutas para combater a doença

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  • por em 23 de março de 2021

O professor do curso de Farmárcia da Pitágoras Ipatinga, Marcus Vinicius, liderou a pesquisa (Foto: Reprodução)

Um grupo de professores e alunos da Faculdade Pitágoras em Ipatinga é responsável por uma descoberta inédita para combater bactérias causadoras da infecção do trato urinário (ITU). O estudo foi conduzido dentro dos laboratórios da instituição, em que se identificaram extratos com atividade antimicrobiana a partir das polpas de seriguela, umbu e cupuaçu, ou seja, capazes de inibir o desenvolvimento dessas bactérias.

“De modo geral, as polpas de frutas são menos investigadas do que extratos de folhas ou raízes, e as polpas da seriguela, umbu e cupuaçu nunca haviam sido investigadas para este fim. Neste estudo, descobrimos que a atividade antimicrobiana dos extratos das polpas se dá graças à presença de moléculas ativas como os flavonoides. Se os extratos forem funcionais e potentes também em outras etapas, como teste em animais e pacientes doentes, podem ser utilizados futuramente no desenvolvimento de medicamentos”, explica Marcus Vinicius Dias Souza, professor do curso de Farmácia da Pitágoras Ipatinga, que liderou a pesquisa. “Também constatamos atividade antioxidante dos extratos, um benefício importante para o organismo”, acrescenta.

O estudo, transformado em artigo científico, foi publicado pela revista Biointerface Research in Applied Chemistry, vinculada à Universidade Politécnica de Bucareste (Romênia).

“A faculdade Pitágoras nos abriu as portas para realizar pesquisas científicas que buscam trazer avanços não só na área acadêmica, mas também para a sociedade em que a instituição está inserida. Os resultados foram satisfatórios também por incluir dois alunos do curso de farmácia da faculdade, que foram responsáveis pela parte prática, tendo a oportunidade de participar de todas as etapas de um estudo inédito. Além disso, os alunos participam ativamente da redação do artigo, algo complexo até para pesquisadores mais experientes. O estudo obteve reconhecimento da comunidade científica internacional, sendo uma ponte já para o Mestrado”, destaca o professor.

Lorena Kimberly Alcântara (9º semestre) e Luiz Felipe Machado (7º semestre), foram os autores principais do artigo sobre a investigação com as polpas de seriguela, umbu e cupuaçu. A pesquisa foi realizada ao longo de 2019, são muitas horas dentro do laboratório realizando todas as etapas. “A partir deste processo, é necessário filtrar os dados com base no objetivo da pesquisa e selecionar quais as informações necessárias para provar que as polpas têm agentes antimicrobianos”, explica Lorena Kimberly Alcântara. Considerando 3h/dia, teriam sido 45 horas ininterruptas apenas de experimentos dentro dos laboratórios da Pitágoras.

“A literatura científica reporta que as opções existentes para o tratamento de doenças infecciosas de origem bacteriana estão cada vez menos eficazes, em virtude da capacidade das bactérias de alterarem seus códigos genéticos e criarem mecanismos de resistência a estes fármacos, mesmo que em grandes quantidades. Nota-se um aumento considerável, nos últimos 10 anos, de pesquisas sobre a chamada ‘Era pós-antibiótica’, em que mesmo as infecções consideradas simples podem não ser tratadas em virtude da falta de antimicrobianos eficazes”, diz Lorena.

Infecção Urinária no Brasil: população feminina é o principal alvo da doença

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), quando há quantidades superiores a 100.000 unidades de colônias bacterianas por mililitro de urina (ufc/ml), tem presença de infecção do trato urinário. Essa pode apresentar sintomas ou não e, nesse último caso, recebe o nome de “bacteriúria assintomática”.

A infecção do trato urinário (ITU) é patologia extremamente frequente, que ocorre em todas as faixas etárias. Na vida adulta, a incidência de ITU se eleva e o predomínio no sexo feminino se mantém, com picos de maior acometimento no início ou relacionado à atividade sexual; durante a gestação ou na menopausa, de forma que cerca de 50% a 80% das mulheres terão ao menos um episódio de ITU na vida e 15%, ao menos uma ao ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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